domingo, 1 de maio de 2016

O CASO CHICÃO





Ao chegar no Atlético, Chicão declarou: "Jamais imaginei que um dia iria jogar no Galo. Sempre quis atuar num time de massa, mas o Atlético é o máximo." 


O volante chegou ao Atlético no início de 1980, quando todos o criticavam por um pisão que ele, ainda como capitão do São Paulo, dera em Ângelo na decisão do Brasileiro de 1977, no Mineirão. O jogo posteriormente foi para os pênaltis e o Atlético, que até então era o franco favorito ao título, viu acontecer a maior decepcão de sua história, com o Vice-Campeonato Invicto de 77.

5 de março de 1978, decisão do Campeonato Brasileiro de 1977. Atlético e São Paulo se enfrentam para decidir quem seria o Campeão Brasileiro. Decisão a parte, uma outra guerra foi travada no gramado do Mineirão. Uma guerra suja e covarde. Uma guerra que não foi disputada na bola, mas sim com intimidações, pontapés que não visavam a bola, cotoveladas, socos e etc. Resultado, uma baixa, Ângelo que saiu do gramado do Mineirão com a perna fraturada por conta da tamanha brutalidade paulista: ruptura completa do ligamento colateral externo; ruptura do bíceps femural; ruptura da clápsula externa e do tracto íliotibial.
Essa contusão aconteceu, depois de uma dividida entre Neca e Ângelo. Maldosamente, o jogador Neca entrou com o pé por cima da bola atingindo a perna do jogador mineiro. Não o bastante, quando Ângelo permanecia caido pedindo socorro médico veio Chicão e deu um pisão na perna quebrada de Ângelo. O juiz Arnaldo César Coelho - incrivelmente, ou convenientemente- não viu nada dos dois lances

Declaração de Chicão: “Jogo duro, mas na bola. Sou jogador forte. Eu não sabia que o Ângelo estava machucado, no momento em que lhe dei um pisão. Eu disse: levanta rapaz, pára com encenação! Pensa que eu machucaria um colega de propósito?”

Um repórter da Revista Manchete Esportiva entrevistou Ângelo já no hospital, no dia seguinte:

-Está sentindo dor Ângelo? –enquanto o jogador tenta erguer-se na cama.
-Eu vi tudo de novo.....tudo de novo!
-Tudo de novo como, Ângelo?
-É um pesadelo: eu vi o Neca vindo com a chuteira na direção da minha perna. Estava tudo meio cinza, mas eu vi a chuteira do Neca me pegando, do jeito que aconteceu....
-E, agora, Você sente dor?
-Sinto. Dói muito, como doeu na hora.
-Você via a torcida no pesadelo, Ângelo?
-Não, nem a grama eu via. Era tudo cinza...
-E o Chicão, você vê o Chicão no pesadelo?
-Não, o Chicão não, só o Neca…

Chicão e A Massa, por Kalil

Alexandre Kalil conta que na chegada de Chicão ao Atlético, em 1980 ele criticou seu pai pela contratação do volante, pois achava que aquela não fora uma boa investida por que ele já estava "queimado" com a torcida. Alexandre Kalil revela as sábias palavras de seu pai após seu comentário: "Papai falou : Você é novo, ainda não entendeu como funciona a torcida do Atlético. Na estréia dele você vai ver o Mineirão inteiro gritar o nome do rapaz."

O resto é História: na estréia de Chicão, A Massa mostrou seu apoio ao novo "soldado" e o jovem até então renegado pelo povo mineiro entrou em um Mineirão lotado gritando seu nome para um jogo contra, ironia do destino, o seu velho e sujo São Paulo.
Ao seguir daquele ano de 1980, Chicão ajudou o Atlético a manter sua hegemonia no Estado de Minas Gerais, pois o Galo havia acabado de ser Bi campeão de 1978 e 1979 e lutava pelo valioso rótulo de Tri-Campeão.
Aquele Chicão, que em 1977 foi crucificado pelo povo, se redimiu com a consagração do Tetra-Mineiro, participando como volante titular, formando um fortíssimo meio campo ao lado de Toninho Cerezo, conquistando os Campeonatos Mineiros de 1980 e 1981 . Acabou conquistando o povo preto&branco e seu jeito "durão" de jogar lhe rendeu o apelido de "Chefão".
A hegemonia atleticana só viria a ser quebrada em 1984 após a conquista do Hexa - a maior hegemonia do futebol mineiro moderno - 1978, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983



Referências 
  • GALUPPO, Ricardo. Raça e Amor - A Saga do Clube Atlético Mineiro Vista da Arquibancada. BDA, 2003. Coleção Camisa 13. 173 p. ISBN 8572342818

UBALDO




Ubaldo Miranda em seu lugar de essência, nos braços da Massa!




"Naquele tempo, só duas pessoas eram carregadas nos ombros do povo: o presidente Jucelino Kubitschek e eu." Orgulho legítimo de quem foi protagonista de cenas extraordinárias com a camisa alvinegra.


O menino que fugiu de casa levava alguns trocados, uma trouxa de roupas e a carta de recomendação de um figurão de Divinópolis para a diretoria do Atlético no dia que tomou o ônibus para a capital mineira. Quando chegou no Galo em 1949 Ubaldo Miranda tinha apenas dezessete anos.

Adorado pela Massa, Ubaldo é o 8º maior artilheiro da história do Atlético. Conquistou diversos títulos e foi autor de 135 gols pelo Galo, bradando: "Isso porque eu só jogava aos domingos".





Desde o início, Ubaldo, ficou conhecido por uma característica estranha. Se a bola vinha fácil, na cara do gol, com o arqueiro batido e o beque a cinco metros de distância, chutava fora: "Gol assim não tinha graça". Agora, quando a bola já estava perdida, quando o gol era impossível ou após chutes em falso - gol certo. Certa vez, dominou a bola no meio do campo e já despachou num petardo em direção ao gol. A bola subiu, subiu e continuou subindo... Quando todos imaginavam que ela sairia, caiu de uma só vez e foi se alojar no fundo da rede. Assim eram os gols de Ubaldo. Por esse tipo de lance ficou conhecido como o "artilheiro dos gols espíritas". Muitas vezes eram mesmo sobrenaturais. Os incrédulos racistas azuis insistiam em provocá-lo dizendo, dentre outras bobagens, que seus gols eram 'obra de pacto com o diabo', macumba - atiçavam a fera e o resultado era sempre o mesmo: Ubaldo carregado nos braços da Massa.








Craque mitológico do folclore alvinegro, foi peça fundamental numa grande série de conquistas muito importantes na vida do Clube Atlético Mineiro.
Foi o jogador que mais marcou na campanha rumo ao pentacampeonato mineiro, com 39 gols. Em 1958, ele foi carregado do Estádio Independência até a Praça 7, no centro de Belo Horizonte, nos ombros da Massa.
No dia da morte de seu pai, o atacante Ubaldo pediu para atuar no clássico mineiro. O Galo bateu o Cruzeiro naquela ocasião com gol espírita.






Salve Ubaldo, eterna santidade do culto atleticano!




Referências 
  • GALUPPO, Ricardo. Raça e Amor - A Saga do Clube Atlético Mineiro Vista da Arquibancada. BDA, 2003. Coleção Camisa 13. 173 p. ISBN 8572342818

Crônicas de Roberto Drummond // Que mistério tem o Atlético?




Por Roberto Drumomnd
Que mistério tem o Atlético que às vezes parece que ele é gente?
Que a gente associa às pessoas da família (pai, mãe, irmão, filho)?
Que a gente confunde com a alegria que vem da mulher amada?
Que mistério tem o Atlético que a gente o confunde com uma religião?
Que a gente sente vontade de rezar " Ave Atlético, cheio de graça"?
Que mistério tem o Atlético que, à simples presença de sua camisa branca e preta, um milagre se opera?
Que tudo se alegra à passagem de sua bandeira?
Que tudo se transforma num mar branco e preto?
Que tudo canta?
Que tudo é irmão?
Que tudo se ilumina?
Que mistério tem o Atlético, que entra pelas casas e corações adentro?
Já vi de tudo nos campos de futebol. Vi valente tremer.
Covarde virar herói. Ateu rezar. Vi os brutos amando. E, já vi sim, eu vi, um cego no Mineirão "assistindo" a um jogo do Atlético.
-Quem é você, cego, que está no Mineirão, usando esta camisa branca e preta e esta fita apache alvinegra?
-Eu sou Paulo Antônio, cego de nascença.
-Que mistério é esse, cego: o que um cego está fazendo aqui no Mineirão?
-Torcendo pro Galo.
-Mas como um cego pode torcer, se não enxerga?
-Eu enxergo com o coração. Não, eu não preciso do meu transistor, eu sei quando é que o Atlético está com a bola.
-Mas como, cego, explica, cego, que mistério é esse.
-Quando o Atlético pega a bola eu escuto um barulho tão grande que parece o fim do mundo.
(Crônica publicada no jornal "Hoje em Dia" de 28 de novembro de 1999 - Depois de eliminar o rival cruzeiro nas quartas-de-final, o Atlético iniciava, nesse dia, a batalha com o Vitória-BA e se classificaria para a decisão do Campeonato Brasileiro.)

Crônicas de Roberto Drummond // Tricampeonato de 80

25 de novembro de 1980

Com uma goleada de 5 a 1 sobre o América, comandada por Toninho Cerezo, o Clube Atlético Mineiro chega ao seu primeiro e até hoje único Tricampeonato estadual na era Mineirão. A hegemonia do Tricampeonato seguiria dando origem ao Hexacampeonato.





Por Roberto Drummond - 

Rasguem o peito.
Tirem de lá o coração.
Guardem o coração no lugar em que se deve guardar um coração.
E, feito isso, usem a cabeça, poise é com a cabeça de vocês (e não com o coração) que eu hoje quero conversar, para analisar a vitória de 5 a 1 com a qual o Atlético nocauteou um América bravo que, apesar do massacre, jamais beijou a grama.
Se fosse utilizar o coração, eu podia começar falando em Cerezo.
Por que Cerezo foi o coração do Atlético.
Foi o sangue do Atlético.
Foi a alma do Atlético.
Foi ritmo alucinado e alucinante do Atlético.
Cerezo foi a vontade do Atlético.
Foi a determinação de vencer do Atlético.
Foi a indominável fé do Atlético.
Era a partir de Cerezo que o Atlético ritmava e cadenciava o jogo.
Era a partir de Cerezo que o Atlético encostava o América contra a parede.
Mas o Atlético não teve apenas Cerezo.
Na linha do coração, eu diria ainda que o Atlético teve onze lutadores em campo.
Não houve, contra o América, nenhum ponto morto no Atlético: de João Leite a Éder, todos estiveram muito bem.
Lá estava o coração de Alves, explodindo.
Lá estava a bomba no pé esquerdo de Éder, explodindo.
Lá estava a esperança de Palhinha, explodindo.
Eu até podia dar nota a alguns jogadores.
Cerezo: nota 10
Éder: nota 10
Palhinha: nota 10
...
E vocês podem estar se perguntando:
- E a nota do Rei, qual foi?
Eu respondo.
- Dou a Reinaldo nota 8, pela participação decisiva no jogo, inquietando os marcadores, mas não só por isso, pelo que fez (para só citar um exemplo, naquele belo passe para o maravilhoso gol de Éder).
Mas se Reinaldo fosse nota 10 o jogo teria terminado não 5, mas de 10 a 1.
Mas ainda não entrei no que quero.
Entro agora, pedi que vocês rasgassem o peito e guardassem o coração, que, certamente, usando o coração, não daria para ver.
Refiro-me à participação de Heleno.
Não só no gol e fúria, de raça, de talento, de oportunismo.
Mais do que no gol, na participação decisiva de Heleno para a mudança na maneira de jogar do Atlético, porque o Atlético de Procópio, pela primeira vez, fez o que eu, vocês sabem, não cansava de pedir: o Atlético, pela primeira vez, (eu repito), jogou no esquema certo, ou seja, Palhinha foi, realmente, o excelente ponta-de-lança que ele é, Palhinha jogou lado a lado, muito próximo de Reinaldo, lá na frente, e isso enlouqueceu nosso adversário.
Mas por que Palhinha pôde exercer sua verdadeira vocação, fazendo, para mim, a sua melhor exibição no Atlético?
Porque Heleno desobrigou o técnico Procópio de dar a Palhinha a tarefa de fazer o 4-3-3 pelo meio.
Porque Heleno libertou o Altético de uma punição: o 4-3-3 pelo meio. Além de tudo, Heleno é um atacante a mais que o Atlético pode ter.

Ora, a partir de Cerezo, sem esquecer de exibições individuais excelentes como as de Heleno, Éder, Palhinha, a partir de Cerezo, o Atlético passou a usar o seu grande potencial ofensivo, a partir de Cerezo, o Atlético jogou como deve jogar, acreditando na própria força.
Não, não foi o bravo América que tomou de 5.
Foi o grande Atlético (jogando um futebol solidário, criativo, ofensivo, irresistível) que venceu de 5.

Bom, agora abra o peito outra vez.
Recoloquem o coração onde o coração tem que ficar.
E deixem o coração gritar o nome daquele que foi o grande herói do jogo.
Deixem o coração gritar: Ce-re-zo!




sábado, 30 de abril de 2016

A HISTÓRIA DE HUMBERTO MONTEIRO





Ídolo atleticano, o capixaba foi lateral direito titular no período de 1967 até 1972, completando 219 atuações com a peita alvinegra. Humberto Monteiro foi peça importantíssima na conquista do primeiro campeonato brasileiro em 1971. Além do título brasileiro, Humberto Monteiro participou da histórica vitória atleticana sobre a super-seleção brasileira, em 1969, por 2 a 1, no Mineirão.
O camisa 2 foi uma das peças mais importantes do sistema defensivo do Galo em sua época. Foi eleito o melhor lateral direito do Brasil em 1970 e 1971 vencendo o troféu Bola de Prata da Revista Placar.





No meio dos anos 70, Humberto Monteiro voltou para Espírito Santo e encerrou sua carreira na Desportiva Ferroviária. Passavam-se nove anos após o título brasileiro pelo Galo, e o jogador vivia na miséria e sem nenhum patrimônio acumulado. Em um amistoso realizado pelo alvinegro contra o time capixaba no Espírito Santo, o armador Ângelo presenciou Humberto Monteiro naquelas condições e pediu a Piazza uma ajuda ao ex-atleta. Presidente da Associações de Garantia ao Atleta Profissional (AGAP), Piazza pediu que Humberto viesse com todos os documentos para Belo Horizonte dois dias após. Entretanto, já na capital mineira, no dia 27 de Março de 1980, dois dias após o aniversário do Clube Atlético Mineiro, Humberto Monteiro, aos 33 anos, passou mal e faleceu. Seu corpo foi velado no Cemitério do Bonfim. Humberto há de ser celebrado como um dos maiores laterais direitos da história do Atlético.



Salve Humberto Monteiro!

OS VINGADORES DE 78 - CAMPEÕES DOS CAMPEÕES


O time de 78 merece um lugar especial no coração de todo atleticano.
Primeiramente porque foi com esse esquadrão que o Atlético deu início a uma série de conquistas épicas que culminou no sensacional Hexacampeonato Mineiro de 1978 a 1983.
Além disso, 78 tambem era o ano em que o Atlético disputava pela segunda vez a Copa Libertadores da América. 

VINGADOR - Poucos meses após a "tragédia de 77" mal esperavam os tricolores que o Atlético teria novas chances de reescrever sua história: enfrentou e eliminou sem dó o São Paulo da Libertadores: após empate de 1 a 1 no Mineirão o Galo venceu o tricolor por 2 a 1 em pleno Morumbi lotado. Com um time fortíssimo o Galo fez uma digníssima campanha perdendo apenas nas semi-finais pro Boca Jrs, que havia sido campeão no ano anterior e seria bi-campeão naquele ano.

E no dia 22 de Agosto de 1978 chegava a hora de enfrentar mais uma vez os paulistas em uma grande final de um torneio nacional: a final da Copa dos Campeões do Brasil.
Aquele mesmo time que meses antes havia amargurado o vice invicto, lutou, lutou e lutou para honrar o manto sagrado alvinegro e mostrar mais uma vez que é o Vingador de Minas - após empate no tempo normal por 0 a 0, era a hora do coração atleticano afastar de vez todos os traumas da mesma maneira que ocorreram: na disputa de penalidades. E com duas grandes defesas de João Leite, o Galo venceu por 4 a 2 e sagrava-se CAMPEÃO DOS CAMPEÕES DO BRASIL encima daquele mesmo arrogante tricolor paulista - O escudo do Clube Atlético Mineiro recebeu uma estrela vermelha em 1979, representando a heróica e vingadora conquista.

"Nós somos Campeões dos Campeões, somos o orgulho do esporte nacional!"



Esquadrão dos Campeões dos Campeões de 1978:


João Leite, Alves, Modesto, Márcio, Hilton Brunis, Toninho Cerezo, Danival, Paulo Isidoro, Serginho (Marcinho), Jorge Campos (Marinho) e Ziza. Técnico: Barbatana.

FREGUÊS 5 ESTRELAS - OS MAIORES CONFRONTOS


 Sempre que o embate foi realmente importante, o time azul entrou na cancha e deparou-se com seu algoz alvinegro: tremeu.
Dos 4 grandes confrontos a nível nacional/internacional que os Deuses do futebol proporcionaram entre o Clube Atlético Mineiro e o seu arqui-rival, só deu Galo.



A primeira vez foi nas quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1986 - o Galo tinha vantagem de jogar por dois empates porque fez melhor campanha nas duas primeiras fases do torneio - A equipe alvinegra, comandada por Ilton Chaves, tinha craques como Luisinho, Elzo, Nelinho, Zenon e Sérgio Araújo. No primeiro jogo Mineirão lotado, jogo pegado e um frio 0 a 0. Já na volta, o empate heróico por 1 a 1 levou o time da Massa para as semifinais. Era o início da supremacia alvinegra nos confrontos diretos contra seu maior freguês.


A segunda vez foi na Copa Ouro de 1993, onde participariam as equipes vencedoras dos principais torneios Sulamericanos da época, e o Atlético, que havia sido campeão da Copa Conmebol de 1992, conquistou sua vaga.
Belo Horizonte, dia 8 de Julho de 1993. Semi-final da Copa Ouro - desta vez, além de valer uma vaga para uma final, valia também o romantismo de eliminar o grande rival de uma competição Sulamericana - Esta foi a primeira e única vez da história que Atlético e Cruzeiro se enfrentaram num mata-mata em nível internacional.
Em um jogo muito disputado e amarrado, terminou empatado em 0 a 0. Veio a prorrogação e muito nervosismo de ambos lados: nada de gols. Chegava a hora de sanar as dúvidas, quem ficaria com a glória? Na disputa de pênaltis, melhor para o Clube Atlético Mineiro, que venceu por 5 a 4 após a última cobrança mal batida de Cleisson: vaza raposa, aqui é Galo Doido!


Seis anos mais tarde, no celebradíssimo confronto das quartas de final do Brasileirão 1999, quem tinha a vantagem por ter feito melhor campanha anterior era o time celeste, que jogava por vitória e empate ou por três empates. Segundo colocado entre os 22 envolvidos na disputa, o time do Barro Preto teve azar de topar justamente com seu maior terror: o valente Galo impôs sua raça e aplicou uma goleada já no primeiro jogo por 4 a 2. As minorias ficaram descontroladas.
Comandado por Humberto Ramos, a equipe tinha a dupla de ataque Guilherme/Marques como destaque, além de feras como Velloso, Belletti, Alexandre Gallo, Robert, Caçapa e Lincoln.
A segunda partida, no dia 21 de novembro foi inesquecível - o ex-Palestra vencia até os 15 minutos finais e poderia forçar a realização da terceira partida - mas o Galo lutou até conseguir a virada, e aos 35 do segundo tempo Guilherme, de peito, virou o placar, 3 a 2. Belo Horizonte virou um inferno!


- O MAIOR CONFRONTO DA HISTÓRIA:
Em 5 de novembro de 2014, as equipes mineiras bateram seus oponentes e se classificaram para a grande final da Copa do Brasil - O Galo havia quebrado tabus e levado a Massa ao delírio após eliminar Corinthians e Flamengo em viradas históricas, ambas por 4 a 1. Enquanto isso o time celeste tivera um trajeto muito mais fácil na competição, mas isso pouco importava, porque era chegada a hora do maior confronto da história, o clássico dos clássicos: a final do milênio - Pela primeira vez na história, as duas equipes decidiam um título nacional.
Em 12 de novembro acontecia a primeira grande peleja no Horto, alçapão da invencibilidade atleticana e não deu outra: Luan abriu o placar logo aos 8 minutos de jogo e o argentino Jesús Dátolo ampliou aos 15 do segundo tempo: 2 a 0.
E na noite de 26 de novembro, voltávamos ao palco do Mineirão para decidir a grande final. Esperava-se um Cruzeiro jogando pra cima mas o que se viu foi justamente mais um baile do Atlético - Quando Don Diego Tardelli fez o gol de cabeça o time azul se via em uma missão impossível, que aliás, só não era impossível para aquele próprio Atlético. E não deu outra: após as duas vitórias imponentes o Galão insano da Massa sagrava-se campeão encima do rival após uma campanha épica!
O brado retumbante do povo heróico atleticano levou a turma do ex-Palestra às margens nada plácidas da tristeza. Os grandes meios de comunicação transmitiam o jogo e não havia como esconder: aqueles 1.800 guerreiros alvinegros estavam calando 35 mil vozes cruzeirenses. Na marra. E sairam de lá com a garganta sangrando, com a faixa de campeão estampada no peito e encontraram Belo Horizonte à beira do caos como nunca se viu antes.
Ao lado do hino do Clube Atlético Mineiro, o cântico "Eu sei que você treme"(melodia retirada de Creedence Clearwater Revival "Bad Moon Rising"), foi o preferido a ser bradado pelo povo nas ruas de Minas Gerais afora. O lado azulado jamais compreendeu seu destino de freguês: é sua sina.